segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Plebiscito: Divisão do Pará

Plebiscito: Divisão do Pará

Votação acontece em 11 de dezembro, nos moldes das eleições tradicionais.Tahiane Stochero Do G1, em Belém, Santarém e Marabá


Divisão do Pará (Foto: Editoria de Arye/G1)

Começa nesta sexta-feira (11) a campanha no rádio e na TV das frentes contra e a favor a criação dos estados de Carajás e Tapajós. O plebiscito que vai definir se os paraenses querem ou não o desmembramento do estado será realizado no dia 11 de dezembro.
Os eleitores do Pará irão à urnas para responder a duas perguntas: “Você é a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado do Carajás?” e “Você é a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado do Tapajós?”.
Em um possível cenário de divisão do Pará, o futuro estado de Carajás será composto por 39 municípios, tendo Marabá como capital; o estado de Tapajós, 27 municípios, e Santarém como capital; e o novo Pará, 77 municípios, e Belém continuaria sendo a capital.

O G1 percorreu o Pará por dez dias para ouvir o que o povo pensa sobre a separação. Nos próximos dias, será publicada uma série de reportagens sobre o assunto.

Os paraenses ouvidos pelo G1 que defendem o “não” afirmam que todo o Pará sairá perdendo com a separação. Já os moradores de regiões distantes de Belém, como Marabá e Santarém, defendem que só um governo mais próximo poderá gerar mais emprego e melhorar a infraestrutura básica, diminuindo a pobreza e a violência.

Caso haja a separação, o novo Pará fica com 64% da população em apenas 17% da área do atual estado. Já Tapajós será o maior em extensão, com 59% da área territorial, e abrigará a futura Usina Hidrelétrica de Belo Monte, mas com uma população e um PIB menores. Carajás, com 24% do território, abriga cidades com alto fluxo migratório devido às riquezas minerais e aos movimentos rurais. Segundo dados do Ministério da Justiça, o avanço do crack e do oxi fazem com que o estado já nasça contendo as cidades mais violentas do país.

Na região metropolitana de Belém, o “não” à separação está estampado em faixas e cartazes. “Acho que o estado deve continuar unido para crescer. Se dividir, todo mundo vai perder, porque vão separar todas as riquezas do estado e só vai gerar mais cargos para os políticos”, acredita a professora Maria Teodora, de 59 anos.
belem pescador clementino da silva lisboa (Foto: tahiane stochero/g1) 
O pescador Clementino da Silva Lisboa, em Belém
(Foto: Tahiane Stochero/G1)
No mercado público Ver-o-Peso, próximo ao porto, moradores da região discutem o tema. “É claro que quem mora em Belém sai perdendo. As riquezas ficariam todas com Carajás. Eu vou votar no não”, diz o vendedor Roberto Gomes Menezes.
Já o pescador Clementino da Silva Lisboa diz que deve estar pescando dourado no Amazonas no dia do plebiscito. "Sempre fico semanas longe da terra. Acho que não devo votar. Mas meus filhos vão", afirma.

No interior do estado, o “sim” parece prevalecer. As campanhas pró-Carajás e pró-Tapajós trabalham juntas  e defendem que só a separação fará com que haja desenvolvimento nas regiões onde a população reclama principalmente de problemas nas áreas de saúde, segurança e transportes.

Para vencer nas urnas, apesar do menor número de eleitores nessas regiões, os defensores da criação dos dois novos estados apostam no feriado de Nossa Senhora da Conceição, em 8 de dezembro. Acreditam que a população do novo Pará, principalmente de Belém, deve viajar no feriado e ficar longe do domicílio eleitoral.
belem mercado municipal (Foto: Tahiane Stochero/G1) 
População conversa no mercado público Ver-o-Peso, em
Belém (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Em Carajás, a dúvida é se a alta porcentagem de moradores procedentes de outros estados vota no Pará. Segundo o IBGE, quase um terço da população de Marabá não nasceu no estado. Na região, até mesmo os “estrangeiros”, a maioria procedente de Maranhão, Piauí, Goiás e Tocantins, defendem a separação. “É um absurdo o atraso em que vivemos, sem asfalto, sem esgoto, nessa violência. O dinheiro vai todo para a capital”, diz o cearense Jai de Sá Crato.

“Não tem como piorar separando. Se os impostos que arrecadarmos ficarem aqui na região, terá mais investimento. Só pode melhorar. Marabá não tem nada”, desabafa o comerciante Raimundo Nonato, que expunha em frente a sua mercearia a carne de um porco recém-abatido.
marabá porco (Foto: Tahiane Stochero/G1)Mercearia de Raimundo Nonato, em Marabá
(Foto: Tahiane Stochero/G1)
Em Santarém, a discussão gerou análises sobre os pontos positivos e negativos nas comunidades e a campanha pela criação de Tapajós está estampada em casas e é tema de conversas em barcos na orla. “Eu vou votar no sim.
A maioria do povo viaja de barco, mas para o dia do plebiscito nos programamos para ficar na comunidade”, diz ao G1 a dona de casa Mariluce Branco, enquanto embarca para uma viagem de barco de sete horas até a comunidade ribeirinha de Lago Grande.
Políticos
O economista Celio Costa, contratado pelas campanhas pró-separação para analisar a viabilidade de Tapajós e Carajás, diz que, caso haja a divisão, “os três estados terão sobrevivência financeira e os dois novos receberão recursos da União que hoje não têm acesso”.

Pelos cálculos de Costa, do total do orçamento do Pará em 2010 (aproximadamente R$ 10,54 bilhões), cerca de 88% foram gastos na área do novo Pará; 8%, em Carajás; e 4%, em Tapajós, que é o maior em área. Quando se analisam os investimentos (cerca de R$ 1,03 bi em 2010), 83,5% foram feitos no novo Pará, na região metropolitana de Belém; 11,5% (cerca de R$ 150 milhões), em Carajás; e 5% (R$ 69 milhões), em Tapajós, diz o economista com base no balanço do governo do Pará divulgado no Diário Oficial do estado.
Divisão do Pará (Foto: Editoria de Arte/G1)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Resenha: a cadeia é um ótimo lugar para recomeçar | Blogs POP - TV & Séries

Resenha: a cadeia é um ótimo lugar para recomeçar | Blogs POP - TV & Séries

domingo, 20 de novembro de 2011

O Plebiscito, o “paraensismo” e a vida severina de quem mora no Baixo-Amazonas e no Sul e Sudeste do Pará.


Ana Célia Pinheiro (*)

 

Minha história é muito parecida com a de milhões de paraenses.
Meu avô materno era um maranhense que descendia de holandeses e que acabou se casando com uma cabocla do Marajó. Meus avós paternos eram portugueses.
Mas os meus pais, assim como eu e os meus irmãos nascemos e crescemos como caboclos paraenses – e com sólidas raízes na Ilha do Marajó.
Adoramos açaí, farinha, pirarucu, maniçoba, manga, pupunha, cupuaçu. E temos, também, um indisfarçável “nariz de batata”.


E é nessa condição de paraense da gema, com este estado no sangue, no olfato e no paladar, que eu gostaria de me manifestar, mais uma vez, sobre a proposta de divisão do Pará.
Em primeiro lugar, quero parabenizar todos aqueles que lutaram pela aprovação do Plebiscito.
Trata-se de uma importante vitória, não apenas porque pode significar a concretização daquilo que é o sonho de milhões de irmãos brasileiros: a criação dos estados do Tapajós e de Carajás.
Mas também porque o Plebiscito nos permitirá debater de verdade uma questão que já não pode ser varrida para debaixo do tapete.


E penso que, antes de mais nada, é preciso afastar desse debate o simbolismo romântico da “grandiosidade do Pará”, da “estrela solitária da bandeira”, do “orgulho de ser paraense”, entre outras subjetividades que derivam deste nosso “paraensismo” exacerbado.
Até porque o que estamos a discutir não é simplesmente um ideal. Mas, as condições de vida de milhões de cidadãos.


II
Só quem não conhece o Pará – a Transamazônica, o Baixo-Amazonas, o Sul e Sudeste – é que não consegue entender o sentimento de abandono das populações dessas regiões.
Esse gigantismo que cantamos em prosa e verso tem sido, em verdade, um enorme obstáculo à melhoria da qualidade de vida daquelas pessoas.
Muitas vezes, e nem prometendo os olhos da cara, se consegue levar um médico para essas regiões.


Muitas vezes, um profissional de Santarém ou de Marabá tem de se mudar para Belém e trabalhar dobrado, para ter o seu valor reconhecido neste gigante chamado Pará.
Muitas vezes, a produção inteira de centenas de agricultores se perde pela impossibilidade de escoamento.


Porque a esse gigantismo também se junta (talvez geneticamente, devido à imensidão territorial), a falta de infra-estrutura: de transportes, de comunicação, de todos os tipos de assistência. E tudo, até mesmo na iniciativa privada, acaba girando em torno de Belém.
Mas para além do reconhecimento profissional ou da perda da produção, o mais importante é mesmo o sofrimento e a morte de milhares de pessoas, pela demora ou pela falta de atendimento.
E esse, sim, é um dado objetivo – ao contrário do simples “orgulho de ser paraense”.




III
Até pouco tempo era mais fácil – e até mais barato – levar um doente dessas regiões para se tratar em outro estado, do que trazê-lo para a capital.


Há três anos, quando estive pela última vez no Sul e Sudeste do Pará, a internet, que vai se tornando cada vez mais um direito humano, simplesmente inexistia em boa parte daquela região. E quando havia era tão precária que a gente ficava pensando se não seria mais fácil enviar um sinal de fumaça.


Há uns 13 anos, quando estive pela primeira vez na Transamazônica, localidades inteiras comemoravam a chegada da energia elétrica – vejam só!...
E aí a gente tem de pensar que, além do gigantismo e da precariedade de infra-estrutura, há outro problema: a histórica concentração da administração pública na capital.


O cidadão da Transamazônica, do Baixo-Amazonas, do Sul e Sudeste do Pará tem de viajar quilômetros e quilômetros para se queixar da falta de segurança, da falta de água, da falta de uma escola de segundo grau, da precariedade de uma unidade de saúde.


Sim, porque embora muitos desses municípios possuam serviços e órgãos públicos estaduais, o poder decisório permanece centralizado em Belém.
Há dificuldade até mesmo para obter informações, na capital, acerca das condições dessas regiões: às vezes, é mais fácil telefonar para São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília. E quem é repórter ou técnico do governo sabe disso muito bem.


E o gigantismo territorial faz com que tudo o que se planeje para o Pará, em termos de serviços públicos essenciais, assuma proporções até irrealizáveis.


Veja-se o exemplo daquela explosão popular que ocorreu em Goianésia do Pará, se não me falha a memória, em 2006.
Na época, se bem recordo, havia em Goianésia apenas dez soldados da PM e nenhum veículo policial - ou o veículo existente estava quebrado há semanas.
Quer dizer: os crimes se sucediam e a população estava entregue à própria sorte – daí a explosão.


E a pergunta que fica é: quantos policiais se precisará contratar e quantos veículos e armamentos será necessário comprar para se ter um policiamento minimamente decente em cada município deste gigante chamado Pará?


IV
As populações dessas regiões – da Transamazônica, do Baixo-Amazonas, do Sul e Sudeste do Pará; os brasileiros e brasileiras dessas regiões amargam uma vida severina.
E é na situação dessas pessoas que é preciso pensar em primeiro lugar – e não, simplesmente, nesse “gigantismo romântico” que nunca conseguiu ultrapassar a geografia, para se transformar, principalmente, em gigantismo econômico-social.


Já escrevi aqui uma vez: o Sul e o Sudeste do Pará já são, na prática, outro estado.
Um estado que nasceu de um caldeirão cultural muito diferente daquele que temos em Belém e em boa parte do Nordeste do Pará.


Um estado construído com o sangue, suor e as lágrimas de milhares de pioneiros, que transformaram desertos humanos em grandes cidades, como Marabá e Parauapebas.
E que não podem ser simplesmente tratados como “oportunistas que querem levar o filé do Pará”, como já li por aí.


Esses brasileiros são pessoas, cidadãos, que tiveram a coragem de desbravar aquilo que era apenas um latifúndio improdutivo dos habitantes de Belém.
Sim, porque nós, de Belém, não queremos ir para o interior nem quando recebemos uma boa oferta de trabalho.


Não queremos ir nem para o Nordeste do Pará, ao qual o acesso é muito mais fácil. Quanto mais para Marabá, Parauapebas, Canaã, Altamira, Rurópolis, Novo Progresso ou até mesmo para a belíssima Santarém, com a sua extraordinária Alter do Chão.


Então, não dá para “satanizar” aquelas pessoas porque reivindicam uma autonomia a que têm direito, e que será, sim, extremamente benéfica para a qualidade de vida delas.
E não se pode, também, tentar forçá-las a se identificar com este nosso “paraensismo”, com o qual, na verdade, jamais guardaram nenhuma identidade.


Também já disse e vou repetir: não se pode jogar nas costas dessas pessoas a “culpa” pelo nosso imobilismo e pelas quizílias da política paraense.
Sim, porque são esse imobilismo e essas quizílias que sempre representaram, de fato, uma ameaça à situação do Pará – e não, simplesmente, a divisão territorial.
Ainda gigantes, perdemos espaço para o Amazonas e até para o Maranhão.


Nunca conseguimos nos impor – e, parece-me, isso só aconteceu quando o finado Hélio Gueiros mandou que enfiassem o lixo atômico em outro buraco.
Sempre nos comportamos bovinamente diante de toda sorte de violências contra os nossos interesses, como, por exemplo, a Lei Kandir.


Até há pouco tempo o imobilismo e as quizílias políticas não permitiam nem sequer que nos preparássemos devidamente – como fez o Maranhão – para ajudar a beneficiar e a escoar as riquezas do futuro Estado de Carajás. Riquezas que, de tão imensas, tendem a gerar muita riqueza em todo o entorno.
É em nós e na fuleiragem dos nossos políticos, na pequenez das nossas lideranças, que temos de buscar eventuais “culpas”, caso a situação do Pará se complique a partir da divisão territorial.


V
É claro que há todo um processo a atravessar até o nascimento desses novos estados.
E embora eu vote, sim, a favor da divisão, penso que é preciso realmente ouvir toda a população do Pará, e não apenas as populações dessas regiões.
É preciso, sim, um amplo debate, talvez o mais importante que já fizemos na história deste imenso país chamado Pará.


Quem defende a integridade territorial – e sei que são fortes os argumentos nesse sentido – deve ter a oportunidade de se manifestar para o conjunto da população.
De igual forma, aqueles que defendem a autonomia dessas regiões.
Penso que não devemos temer esse debate – muito pelo contrário.
Mas creio que essa discussão não pode ser norteada por maniqueísmos ou por ufanismos acerca da “grandiosidade” do Pará.
Até porque, para mim, uma orgulhosa cabocla paraense, pouco se me dá o tamanho deste estado.


E para além de toda a sua extraordinária beleza e sedução, este nosso Pará só será de fato grandioso quando garantir dignidade, Cidadania, para cada um de seus filhos.


Por fim, gostaria de acentuar o seguinte: ao contrário do que sempre anunciam os apocalípticos de plantão, o mundo não acabou com a criação de outros estados brasileiros.
Além disso, os números, sempre tão importantes, não podem ser a única baliza dessa discussão.
Feitas de carne e osso, as pessoas não comem papel nem matemática, mas são tão objetivas como qualquer número.
E é nelas que é preciso, sobretudo, pensar nessa discussão, eis que os cidadãos do Baixo-Amazonas e do Sul e Sudeste do Pará não podem continuar a viver nesta vida severina que os aflige há décadas, ou até mesmo há séculos.


FUUUUIIIIIIIII!!!!!!!!!


(*) Jornalista responsável pelo Blog A Perereca da Vizinha


Plebiscito no Pará

Marcos Coimbra (*)

Está em pleno andamento a campanha do plebiscito sobre a divisão do Pará em dois novos estados. Marcado para o dia 11 de dezembro, nele a população paraense vai dizer se concorda com a criação dos estados de Tapajós e Carajás.

A decisão será tomada pelo conjunto do eleitorado do estado, algo que não tinha sido definido pelo Supremo Tribunal Federal quando o projeto de lei sobre o assunto começou a tramitar. Foi em agosto último que o ponto foi esclarecido.

A dúvida estava na interpretação do significado do conceito constitucional de “população diretamente interessada”, a que deve ser ouvida nas consultas sobre o desmembramento, a incorporação ou a subdivisão de estados, para se anexarem a outros ou formarem novos.

Para uns, seria apenas a que reside no território imediatamente afetado. Para outros, todo o universo dos eleitores do estado teria que ser ouvido. Quase unanimemente, os ministros do STF ficaram com o segundo entendimento.

A decisão do Supremo faz todo sentido, mas foi recebida com tristeza pelos defensores da proposta. Temiam que os votos dos moradores do que vem sendo chamado Novo Pará – a área que remanesceria do atual estado e que inclui Belém e sua área metropolitana – inviabilizassem a mudança.

Tinham razão, pois essa era a situação de opinião que existia quando começou, na televisão e no rádio, semana passada, a campanha das duas frentes - a do “Sim”, favorável à divisão, e a do “Não”, contrária. De acordo com as pesquisas disponíveis, a maioria da população paraense pretendia votar “não”.

Era pequena a vantagem do “não” e, como acontece nas eleições onde só existem duas possibilidades de voto, instável. Se apenas 8% dos eleitores mudassem do “não” para o “sim”, os novos estados seriam criados.

O plebiscito paraense é relevante para a “população diretamente interessada”, mas não só para ela. Ele permite uma reflexão sobre o funcionamento de nossa democracia, assim como a respeito de alguns preconceitos e incompreensões sobre a atividade política e o sistema de representação.

Se o conjunto da população do Pará é contra a criação dos novos estados, em Carajás e em Tapajós ela é quase totalmente a favor. Embora as pesquisas variem, o apoio é da ordem de 80%, em proporções basicamente iguais nas duas áreas.

Quando se pergunta o porquê desse maciço desejo de emancipação, as respostas revelam um forte sentimento de abandono e descaso. Quem vive nos municípios que fariam parte dos novos estados não se sente representado através do establishment sediado em Belém.

Tampouco possui vínculos fortes com a cultura e as tradições do Pará. Fruto da migração, parte expressiva da população dessas regiões não compartilha uma identidade paraense profunda.

Em Belém e onde seria o “Novo” Pará, a principal objeção é pragmática: a arrecadação cairia e o governo teria menos recursos para investir em obras e ações que beneficiassem seus habitantes. Ou seja: indiretamente, dá-se razão aos que lutam pelos novos estados.

Com as enormes mudanças demográficas das últimas décadas, o Brasil de hoje nem sempre cabe nas fronteiras de nossa divisão geopolítica tradicional. Particularmente na Amazônia e no Centro-Oeste, faz pouco sentido querer que a maioria da população atual de algumas regiões pense com os modelos antigos.

Sem contar a transformação de Territórios Federais, foram criados, sem participação popular, de 1974 para cá, dois novos estados (na verdade, três, pois houve, também, a fusão do antigo estado do Rio de Janeiro com a Guanabara, dando origem ao atual estado do Rio de Janeiro).

Em 1977, o Mato Grosso do Sul, por uma Lei Complementar do governo Geisel, e, em 1988, o estado de Tocantins, como disposição transitória da Constituição. Hoje, ninguém discute que essas transformações trouxeram benefícios à população.

Há quem se insurja contra a proposta de criar o Tapajós e Carajás fazendo a conta do custo de instalar e fazer funcionar mais dois governos, duas representações parlamentares, dois judiciários. Mas é um argumento frágil, quase sempre embalado com um sentimento de aversão à política.

O que se ganha em democracia e na possibilidade de melhorar o volume e a qualidade dos serviços públicos compensa (com sobra) o preço que se paga.

(*) Sociólogo e Presidente do Instituto Vox Populi

quinta-feira, 7 de julho de 2011

SIM à divisão do Pará... Respeito aos novos estados!!!

Absurda e descabida, e sem propósitos, e sem fundamentos a Campanha que leva a cabo a TV Liberal.

Acredito na nossa Emancipação e não na idéia de grandiosidade, do Pará Grande, da campanha dos CONTRAS. Não queremos mais ser o Pará de segundo plano, por estar longe do poder e dos serviços do estado. Lá para os lados da capital também tem dificuldades, mas eles ao menos tem como reclamar. As dificuldades do povo de Belém não se assemelham ás do podo de Castelos dos Sonhos, Terra Santa, Brasil Novo, Arapiuns, Xingu e Maucuru, que não sabem nem que Belém existe.

Querem manter a importância do Pará pra quê? Ninguem vai reduzir a importância e o respeito do Pará. Nós não temos identidade com Pará, nas escolas não cantamos o seu hino, e nem sabe a sua história, e os seus sentimentos de grandiosidade é de Belém, a custa da nossa riqueza potencial e da nossa miséria real. Só mudar governos não nos serve. A História mostra. Sempre fomos relegados e abandonados. O Estado novo não é tudo, mas é um começo. Uma luz que se acende nessa escuridão! Eu sei que o Pará arrecada muito aqui. Tem riquezas, mas só pra investir lá.

Meu Deus, a preocupação dessa gente, é que o Pará, vai deixar de ser o maior PIB, area desflorestada maior, 30%. Que recupere suas florestas. Um monte de coisas ruins tem lá é verdade, mas não é nossa culpa: a mortes no campo, a baixa qualidade na educação, prostituição infantil, desrespeito as mulheres, isso é culpa dos governos e da gânancia do capital com apoio dos governo na Capital.

Basta!!! Já somo divididos, queremos só oficializar o separatismo!!! Vamos dividir e fazer a nossa hitória!!! Ai deixaremos de nos ligar mais a Manaus, a capital que adota a os Paraenses daqui!!! Como para o sul do Estado, se ligam mais a Palmas, Goiânia e Brasília!!!
Estado do Tapajós voto SIM no plebiscito!!!

terça-feira, 21 de junho de 2011

COORDENADOR E POETA, FILOSOFO E BIÓLOGO!!! FORMADO EM LETRAS!!!

Quem é você? Homem- pássaro ou homem-réptil?

Homens- pássaros nasceram para voar.

Homens-répteis, para rastejar.

Homens – répteis contentam-se com o chão.

Homens- pássaros preferem os mais altos céus.

Homens- répteis conformam-se com o pó da terra.

Homens pássaros moram nas montanhas das luzes.

Homens- répteis habitam nos pântanos da escuridão.

Homens- pássaros copiosamente são voltados para cima.

Homens- répteis são ,asquerosamente, voltados para baixo.

Homens- pássaros emplumam-se pelas mais nobres grandezas.

Homens- répteis cobrem-se pelas mais baixas vilezas.

Homens- pássaros possuem o peito aberto e enfrentam com ousadia qualquer embate de ventos tempestuosos. Não se intimidam, visionam grandes horizontes, pois seu foco é a justeza de um mundo que não seja opressor nem tampouco lesivo aos planos de liberdade.

Os homens- répteis têm escamas lisas e escorregadias, pois fogem da luta como cães amedrontados. Sua cerviz inclina-se para a servidão como um boi subjugado pelos aguilhões do medo. Não conseguem olhar para cima, visto que o espírito da subserviência não lhes permite ter coragem para avançar. O olhar dos homens-répteis é rasteiro, ladino, pernicioso, cínico e de uma torpeza venenosa. Não se envolvem pelas causas comuns. Preferem as covas ardilosas do egoísmo, pois se subordinam à tirania dos chefes. São como cães adestrados que só meneiam a cabeça para obedecer aos seus donos. Os homens- répteis rastejam no privatismo do seu mundo e na alienação de sua egocêntrica caverna dos seus interesses pessoais.Pudera! A sua visão é centrada no seu próprio escárnio.

Os homens-pássaros, inenarravelmente, alçam voos na supremacia dos seus ideais, na projeção dos seus sonhos, na leveza do seu caráter, na grandeza de serem livres. Na sensatez de um mundo mais justo e mais fraterno, que ampara mais e exclui menos. Que busca unificar e nunca dividir. As asas desses homens são braços estendidos pelo bem comum e pela hombridade de visionar a justiça por intermédio da coletividade.

Por fim, a pergunta fica comigo, mas a resposta é unicamente sua.
Quem você é? Homem- pássaro ou homem- réptil?


Os apaniguados do chefe


A complacência com o regime dos exploradores é o vilipêndio lancinante que sangra os nossos mais profundos sonhos de justiça e lesiona a grandeza dos nossos mais altos ideais.
É gritante e premente a nossa massiva mudança, caso contrário, é melhor nos encapsularmos num estado larval e chorar. Se não transformarmos o meio onde estamos inseridos, estaremos fadados a uma visão de mundo pífia e seremos fatalmente consumidos pela ideologia dos opressores, pois para que a dominação dos maus prevaleça e siga seu curso tranquilamente é necessário apenas que as pessoas aceitem passivamente as condições humilhantes de exploração e opressão a que são submetidas.
Até quando se perpetuará nessa sociedade homens que vivem em função do lucro em detrimento da exploração do próprio homem? Até quando o negrume do capital cerceará o cintilar do bem comum?
Pelo visto, perpetuar-se-á sempre que os apaniguados do chefe estiverem submersos nos seus presépios de pedra. Sofrem a dor da alienação, porém, em silêncio, atrofiam a vontade de se tornarem livres, pois para esses, a vileza da subserviência é um manto aconchegante nas noites gélidas de inverno.
Além disso, o imperialismo incestuoso dos maus aplaca suas propagandas em letras garrafais, de modo a naturalizar a realidade social.Ou seja,as ideologias dominantes conduzem os apaniguados do chefe a acreditar que “o homem é naturalmente egoísta”; que “sempre haverá ricos e pobres”; que “as mulheres foram feitas para o trabalho doméstico”; que “uma pessoa vai sempre querer a perna na outra”; enfim, que a desigualdade, a exploração, a opressão e o preconceito são tão naturais quanto a chuva, o orvalho da noite, o farfalhar dos ventos ou o movimento das marés.
É preciso ter sanha para desnaturalizar a dominação ideológica e ousada força de caráter para fazer o desnudamento das propagandas exaustivamente opressoras e amplamente disseminadas em nossa sociedade, as quais, sem sombra de erro, são disfarçadas, alcoviteiras, alucinantes, sutis, subliminares, que visam, sobretudo, promover entorpecimento e dormência nos apaniguados do chefe.
Portanto, a Torre de Babel precisa ser a nossa essência. Carecemos falar a mesma língua. Necessitamos carpir as ervas daninhas que nos causam o isolacionismo. A solidão golpeia o coração humano e deve ser repelida e severamente ignorada. Busquemos os nossos pares. Saudemo-nos mutuamente com imenso respeito e digna solidariedade. Solidifiquemos a Torre com o cimento da verdade para que ergamos uma obra alicerçada em homens livres, com mãos limpas e corações puros. Pessoas sem hipocrisia e sem mediocridade. Afinadas na ética e na empatia, pois estes vigamentos devem ser a razão de nossa existência, o fundamento de nossas conquistas e o lastro maior de nossos sonhos.

O Poeta-Noel (Santarém)
(EXTRAÍDO DO SITE DO SINTEPP ESTADUAL)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

HIDRELÉTRICAS: MAIS ENERGIA... PARA QUEM?

Dom Erwin Kräutler reafirma posição contra Belo Monte

“Luto contra Belo Monte há 30 anos”, disse o bispo da prelazia do Xingu, dom Erwin Kräutler, na terceira coletiva de imprensa, realizada na tarde da última sexta-feira, em Aparecida (SP). O bispo reafirmou mais uma vez a sua opinião contrária a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo erguida no rio Xingu, no estado do Pará. O bispo disse que o atual governo brasileiro não está se preocupando com as causas indígenas.

“Desde o Governo passado a causa indígena não é levada a sério. Pelo que percebo a atual presidência também não está ligando muito, pois ignora insistentemente os nossos apelos e as nossas cartas. Desde 1982, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), do qual sou presidente, é o braço indigenista da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Graças a Deus estamos lutando pela causa indígena, e a CNBB nos apóia e endossa a nossa luta, porque é uma instituição que valoriza a vida”, disse dom Erwin citando o apoio da CNBB contra a construção de Belo Monte.

A notícia é do sítio do CIMI, 07-05-2011.

Dom Erwin Kräutler apresentou também um balanço de ameaças das causas indígenas que o CIMI está, segundo o bispo, preocupado. “Há 182 terras indígenas ameaçadas no Brasil por todos os tipos de atrocidades. 108 povos estão em estado crítico. O projeto de Belo Monte prevê a construção de uma barragem principal no rio Xingu, localizada a 40 km abaixo da cidade de Altamira (PA), da qual sou bispo. Se isso acontecer, 1/3 da cidade ficará embaixo d’água caso ‘Belo Monstro’ seja construída. O Governo precisa nos ouvir”, enfatizou.

O bispo ressaltou que não está só nesta “luta”. Para o bispo prelado do Xingu, tanto ele quanto a sociedade civil e organismos internacionais estão sendo sistematicamente ignorados. “A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou oficialmente que o Governo brasileiro suspenda imediatamente o processo de licenciamento e construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, citando o potencial prejuízo da construção da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu. Tenho a total convicção e estudo de renomados professores e instituições internacionais que Belo Monte dará um prejuízo, não apenas ecológico, humano, social e cultural, como também financeiro”, finalizou dom Erwin Kräutler.


fonte:
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43099

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Para quem gosta da língua portuguesa

Encontra-se na net o seguinte texto relativo à resposta de um internauta para uma pergunta de outro, que indagava:

Pergunta: Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão ‘no frigir dos ovos’?

Resposta: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.
Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo. Contudo, é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto ou encher linguiça. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.
Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão. Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese...etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou. O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.
Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco.
A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho. Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar.
Puxe a brasa pra sua sardinha que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda

Por Hélio Ohmaye
http://teachervanessaprata.blogspot.com/2011/03/para-quem-gosta-da-lingua-portuguesa.html 

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Nota Pública da CPT

11/2/2011

A CPT - Comissão Pastoral da Terra Xingu – Anapu/Altamira, em conjunto com os movimentos sociais subscritores, por ocasião do 6º aniversário do assassinato de Ir. Dorothy, vem, a público, repor a verdade dos fatos e denunciar a postura totalmente divorciada dos interesses dos trabalhadores excluídos dos assentamentos de Anapu.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anapu com apoio da FETAGRI de Altamira e Prefeito de Anapu tentaram se aproveitar e utilizar para seus interesses, um grupo de trabalhadores rurais que ocupam ilegalmente parte da área de reserva legal do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança em Anapu-PA.

Lembramos aqui que:

A situação começou quando, no dia 10 de janeiro passado, os trabalhadores, assentados legalmente no PDS, passaram a bloquear o tráfego de caminhões dos madeireiros na principal vicinal de acesso ao referido assentamento, solicitando a presença da Superintendente do INCRA, Sra. Cleide Souza para ouvir suas reivindicações, quais sejam:


- Construção de Guaritas com vigilância nos acessos ao PDS para coibir a extração ilegal de madeiras;
- Aceleração no processo de vistoria para retomada das áreas ocupadas ilegalmente e retirada dos ocupantes da área de reserva legal com consequente remanejo dos mesmos para locais em que podem ser assentados.


No dia 18 de janeiro a Superintendente reuniu com os trabalhadores, comprometendo-se em atender a pauta reivindicada. Todavia, ao retornar para Anapu, no km 8 da Vicinal do Santana, teve sua passagem bloqueada pelo grupo manobrado pelo sindicato, que não desejava a colocação de guarita, haja visto que não somente ocupam irregularmente a área como extraem madeira ilegalmente do PDS. A Sra. Cleide só pode prosseguir viagem após algumas horas e sob a promessa do grupo ser ouvido pelo Ouvidor Agrário Nacional, não obstante tais pessoas já terem negociado exaustivamente com o INCRA, mas em razão de não terem seu pleito ilegal atendido, teimavam em prosseguir sob o comando espúrio do ex-presidente do STTR e hoje presidente da Câmara de vereadores, Luiz Sena; de Manoel de tal, atual presidente do STTR; da Sra. Jaqueline, secretária da associação dentro do PDS, de Josildo, atual vice-presidente do STTR e de uma associação dentro de um projeto de assentamento, todos com apoio ostensivo do prefeito de Anapu e presidente do Consórcio Belo Monte, Francisco de Assis conhecido como “Chiquinho do PT.”

A audiência pública então solicitada por esse grupo foi realizada no dia 25 de janeiro de 2011 no galpão da Igreja Católica em Anapu denominado Centro Cultural Dorothy Stang, contando com a presença do Ouvidor Agrário Desembargador Gercino – OAN, representante da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, do INCRA, Ministério Público Federal, polícias Federal, Força Nacional dentre outros.


Nessa ocasião, foram ouvidas, por todos os presentes, as incitações feitas pelos senhores Josildo e Luis Sena, que gritavam para o povo responder se queriam a CPT e as irmãs de Notre Dame, o estimulando a responder “Fora”. Lembrando o calvário de Jesus Cristo, quando os romanos perguntavam ao povo quem queriam que fosse solto, se Jesus ou Barrabás.


Ainda nessa audiência pública esse grupo, liderado por Josildo e Luis Sena, que inclusive foi notificado pelo INCRA a deixar as terras por facilitar a retirada de madeira ilegal aos madeireiros, fez acusações gravíssimas aos membros da Comissão Pastoral da Terra, alguns chegando a afirmar que o coordenador da CPT, Padre Amaro não devia se meter e deveria parar de denunciar, junto com trabalhadores, a extração ilegal da madeira ao INCRA e ao Ministério Público Federal, e que devia parar de perseguir pedindo fiscalização por parte do Órgãos nas entradas das vicinais do PDS Esperança.
O prefeito de Anapu Francisco de Assis, conhecido por “Chiquinho do PT” tem adotado postura contrária ao desenvolvimento sustentável da região, fazendo coro com os madeireiros, tendo inclusive como vice prefeito o madeireiro e sudanzeiro Délio Fernandes, mencionado no inquérito que apurou a morte da Irmã Dorothy, como aquele que tentou ajudar na fuga de dois dos envolvidos, Tato e Bida.


Chiquinho do PT, além de prefeito, é o presidente do Consorcio Belo Monte, e sua postura é tão favorável aos madeireiros que em 2009 pressionou a então governadora do Pará, Ana Julia Carepa, também do PT, a pedir a saída do gerente do escritório do IBAMA, tudo porque esse gerente trabalhava intensamente na fiscalização, atuando fortemente contra tudo e todos que agiam ilegalmente. Em uma dessas, 7 caminhões transportando madeiras ilegais foram apreendidos. O dono? O vice prefeito de Anapu que recebeu uma multa de mais de 1 milhão de reais. Absurdamente não somente o pedido da governadora fora aceito, como a jurisdição do IBAMA em Anapu que antes pertencia a Altamira, passou a Belém.


Felizmente, nessa audiência pública do último dia 25 de janeiro, a verdade veio a tona, e esse grupo, liderado pelos Josildo, Luis Sena, Manoel e Chiquinho do PT, foi desmascarado e os pleitos da CPT foram atendidos porque pautados pela legalidade.


A Comissão Pastoral da Terra externa sua preocupação com a falta de escrúpulos de pessoas que não hesitam em usar, como massa de manobra, pessoas pobres e ingênuas, para objetivos nada nobres, como é o caso da construção da Hidrelétrica de Belo Monte, onde grupos fazem pressão orquestrados por ambições desmedidas de quem não ouve os apelos do povo pobre da região, os argumentos dos cientistas e juristas, que apontam para consequências nefastas sobre o povo excluído da divisão das riquezas e que será expulso de suas terras.


Registramos que a CPT não tem qualquer vinculação político/partidária e seu trabalho se pauta exclusivamente em apoiar e reivindicar os direitos dos trabalhadores da terra por fidelidade a Deus e aos pobres da terra.


Repudiamos essa tentativa espúria de criminalizar o trabalho do Pe. Amaro, coordenador da Comissão Pastoral da Terra, da Irmã Jane e Irmã Kátia, religiosas da mesma congregação de Dorothy.

Infelizmente assistimos a reedição do que aconteceu com Irmã Dorothy em 2004. Esta ação de Josildo, Luis Sena e Chiquinho do PT nos faz lembrar as ações daqueles que pregavam abertamente contra a Irmã, chegando a ser considerada como persona non grata no município de Anapu só porque, como agente da CPT, denunciava as violações dos direitos dos trabalhadores rurais, os crimes de grilagem de terras públicas e ambientais, especialmente a extração ilegal de madeiras e cobrava que fosse feita a reforma agrária naquelas terras.


Por contrariar os interesses dos chamados sudanzeiros, madeireiros, grileiros e seus asseclas, foi assassinada, cruel e covardemente, em 12/02/2005.


Hoje é Pe. Amaro, Irmã Jane e Irmã Kátia, que ouvem as incitações semelhantes às que faziam contra irmã Dorothy.


Quem mudou?


Precisamos olhar a história, os fatos são recentes e precisamos voltar nossos olhos para o que aconteceu em Anapu.


Lembramos aqui o dia 28/10/2008 quando ocorreu mais uma tentativa de grilagem das terras do lote 55, quando um dos acusados do assassinato de Ir. Dorothy, que respondia em liberdade, voltou à cadeia no final do mesmo ano por ter tentado mais uma vez se apossar das terras. Esta última tentativa aconteceu em uma reunião no INCRA quando ele convocou os trabalhadores rurais que moravam no lote, pagou suas passagens e a estadia na cidade, tudo com intuito de convencê-los de que era proprietário das terras. A reunião foi registrada em ata. No documento, fica claro que “Taradão” declarou ser proprietário da área e propôs aos trabalhadores a divisão da mesma, para que cada família ficasse com uma pequena parte e os dois terços restantes fossem liberados para exploração econômica pelo fazendeiro. Sobre este episódio, Taradão responde ao processo de número 2009.39.03.000016-4 tramita na Justiça Federal em Altamira/PA.



Esperamos que desta vez o Governo Federal não chegue tarde demais e que atue no sentido de conferir segurança não somente aos agentes da Comissão Pastoral da Terra, mas principalmente dos trabalhadores que querem a garantia de seus direitos e que não se vendem por trinta moedas de prata.


Os trabalhadores do PDS são os verdadeiros defensores da floresta, do Projeto de Desenvolvimento Sustentável criado pelo Governo Federal. O INCRA tem trabalhado, mas ainda falta muito.

As terras públicas precisam ser destinadas para a reforma agrária. Os grileiros, criminosos que comercializam e se apropriam ilegalmente das terras da União precisam ser punidos. O desmatamento ilegal precisa ser, efetivamente, coibido.


Ressaltamos o esforço e o trabalho do INCRA em destinar áreas que estavam nas mãos dos grileiros para a reforma agrária, em colocar procuradores para trabalharem na região, mas ressalvamos que precisa avançar mais e de forma mais rápida para que tragédias, como a ocorrida no dia 12 de fevereiro de 2005 não se repitam e para que o povo tenha fé e confiança que a verdade sempre triunfará.