Quem é você? Homem- pássaro ou homem-réptil?
Homens- pássaros nasceram para voar.
Homens-répteis, para rastejar.
Homens – répteis contentam-se com o chão.
Homens- pássaros preferem os mais altos céus.
Homens- répteis conformam-se com o pó da terra.
Homens pássaros moram nas montanhas das luzes.
Homens- répteis habitam nos pântanos da escuridão.
Homens- pássaros copiosamente são voltados para cima.
Homens- répteis são ,asquerosamente, voltados para baixo.
Homens- pássaros emplumam-se pelas mais nobres grandezas.
Homens- répteis cobrem-se pelas mais baixas vilezas.
Homens- pássaros possuem o peito aberto e enfrentam com ousadia qualquer embate de ventos tempestuosos. Não se intimidam, visionam grandes horizontes, pois seu foco é a justeza de um mundo que não seja opressor nem tampouco lesivo aos planos de liberdade.
Os homens- répteis têm escamas lisas e escorregadias, pois fogem da luta como cães amedrontados. Sua cerviz inclina-se para a servidão como um boi subjugado pelos aguilhões do medo. Não conseguem olhar para cima, visto que o espírito da subserviência não lhes permite ter coragem para avançar. O olhar dos homens-répteis é rasteiro, ladino, pernicioso, cínico e de uma torpeza venenosa. Não se envolvem pelas causas comuns. Preferem as covas ardilosas do egoísmo, pois se subordinam à tirania dos chefes. São como cães adestrados que só meneiam a cabeça para obedecer aos seus donos. Os homens- répteis rastejam no privatismo do seu mundo e na alienação de sua egocêntrica caverna dos seus interesses pessoais.Pudera! A sua visão é centrada no seu próprio escárnio.
Os homens-pássaros, inenarravelmente, alçam voos na supremacia dos seus ideais, na projeção dos seus sonhos, na leveza do seu caráter, na grandeza de serem livres. Na sensatez de um mundo mais justo e mais fraterno, que ampara mais e exclui menos. Que busca unificar e nunca dividir. As asas desses homens são braços estendidos pelo bem comum e pela hombridade de visionar a justiça por intermédio da coletividade.
Por fim, a pergunta fica comigo, mas a resposta é unicamente sua.
Quem você é? Homem- pássaro ou homem- réptil?
Os apaniguados do chefe
A complacência com o regime dos exploradores é o vilipêndio lancinante que sangra os nossos mais profundos sonhos de justiça e lesiona a grandeza dos nossos mais altos ideais.
É gritante e premente a nossa massiva mudança, caso contrário, é melhor nos encapsularmos num estado larval e chorar. Se não transformarmos o meio onde estamos inseridos, estaremos fadados a uma visão de mundo pífia e seremos fatalmente consumidos pela ideologia dos opressores, pois para que a dominação dos maus prevaleça e siga seu curso tranquilamente é necessário apenas que as pessoas aceitem passivamente as condições humilhantes de exploração e opressão a que são submetidas.
Até quando se perpetuará nessa sociedade homens que vivem em função do lucro em detrimento da exploração do próprio homem? Até quando o negrume do capital cerceará o cintilar do bem comum?
Pelo visto, perpetuar-se-á sempre que os apaniguados do chefe estiverem submersos nos seus presépios de pedra. Sofrem a dor da alienação, porém, em silêncio, atrofiam a vontade de se tornarem livres, pois para esses, a vileza da subserviência é um manto aconchegante nas noites gélidas de inverno.
Além disso, o imperialismo incestuoso dos maus aplaca suas propagandas em letras garrafais, de modo a naturalizar a realidade social.Ou seja,as ideologias dominantes conduzem os apaniguados do chefe a acreditar que “o homem é naturalmente egoísta”; que “sempre haverá ricos e pobres”; que “as mulheres foram feitas para o trabalho doméstico”; que “uma pessoa vai sempre querer a perna na outra”; enfim, que a desigualdade, a exploração, a opressão e o preconceito são tão naturais quanto a chuva, o orvalho da noite, o farfalhar dos ventos ou o movimento das marés.
É preciso ter sanha para desnaturalizar a dominação ideológica e ousada força de caráter para fazer o desnudamento das propagandas exaustivamente opressoras e amplamente disseminadas em nossa sociedade, as quais, sem sombra de erro, são disfarçadas, alcoviteiras, alucinantes, sutis, subliminares, que visam, sobretudo, promover entorpecimento e dormência nos apaniguados do chefe.
Portanto, a Torre de Babel precisa ser a nossa essência. Carecemos falar a mesma língua. Necessitamos carpir as ervas daninhas que nos causam o isolacionismo. A solidão golpeia o coração humano e deve ser repelida e severamente ignorada. Busquemos os nossos pares. Saudemo-nos mutuamente com imenso respeito e digna solidariedade. Solidifiquemos a Torre com o cimento da verdade para que ergamos uma obra alicerçada em homens livres, com mãos limpas e corações puros. Pessoas sem hipocrisia e sem mediocridade. Afinadas na ética e na empatia, pois estes vigamentos devem ser a razão de nossa existência, o fundamento de nossas conquistas e o lastro maior de nossos sonhos.
O Poeta-Noel (Santarém)
(EXTRAÍDO DO SITE DO SINTEPP ESTADUAL)
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